Professor Bruno Marques
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A prova discursiva de Técnico Legislativo da CLDF está se aproximando. Nossos alunos estão estudando focados em elaborar uma Redação Oficial perfeita.

Durante o processo de aprendizado, foram surgindo algumas dúvidas bem interessantes, que também podem ser as suas. Por isso, fiz um compilado das mais importantes e resolvi compartilhar aqui com você. São elas:

Qual será o espelho de correção utilizado pela Banca?

Posso utilizar todas as linhas da redação? Isso não fere o princípio da concisão?

Devo deixar linha em branco (espaçamento) entre as partes da Redação Oficial?

Sem muita enrolação, vamos responder às perguntas:

Qual será o espelho de correção utilizado pela Banca?

A Banca FCC é famosa pelo nível de dificuldade das suas provas discursivas. Em regra, costuma cobrar temas profundos, que exigem um conhecimento sociológico-cultural do mundo. Essas provas são nomeadas “Dissertação-Redação” e sempre utilizam um espelho de correção padrão, dividido em Conteúdo, Estrutura e Expressão.

No Edital da CLDF, porém, a Banca decidiu inovar e resolveu cobrar um gênero textual diferente: a Redação Oficial. Analisando as provas discursivas passadas, foram poucas as vezes que ela cobrou esse tipo de texto, logo, não é possível afirmar com exatidão como será o nível de correção do examinador. No entanto, o que se pode fazer é ler ponto a ponto do Edital e tentar inferir informações, tomando como base os critérios utilizados na “dissertação-redação” e no Manual de Redação da Presidência da República (MRPR).

Fiz um comparativo entre os espelhos de correção da Redação Oficial (sua prova) e da Dissertação-Redação (espelho padrão da FCC). Os trechos em vermelho demonstram o que muda, já as partes em preto, o que não muda.

Observe que no Espelho de Correção da Redação Oficial a parte de Estrutura passa a ser a mais importante, pois vale 50 pontos. Porém, ao contrário do que a maioria pensa, esse critério não busca avaliar apenas a observância às partes específicas da Redação Oficial (vocativo, endereçamento, fecho…), mas também os outros aspectos textuais como: uniformidade, encadeamento de ideias e coesão textual.

Todos esses aspectos textuais só podem ser analisados dentro da parte de “texto”. Logo, para tirar uma boa nota não basta apenas conhecer as partes que compõe um Ofício ou um Memorando, por exemplo, mas saber também montar uma estrutura de texto com introdução, desenvolvimento e conclusão, e organizar as ideias obedecendo à ordem de ideias e à coesão textual.

Como esse artigo é para tirar algumas dúvidas, não vou poder explicar mais a fundo o que seria a estrutura formal e argumentativa da parte de conteúdo nem na estrutura de cada um dos tipos de comunicação oficial, pois se não esse artigo ficaria gigante e um pouco cansativo.

Vamos para a próxima dúvida.

Posso utilizar todas as linhas da redação? Isso não fere o princípio da concisão?

A concisão é uma das características intrínsecas à redação oficial. Conciso é um texto que transmite o máximo de informação com um mínimo de palavras.

Todavia, ser conciso não significa escrever pouco. Essa orientação está presente expressamente no próprio MRPR, que traz as seguintes recomendações:

 Não se deve de forma alguma entendê-la como economia de pensamento, isto é, não se devem eliminar passagens substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. ”

O que ele quer dizer com ser conciso é cortar palavras inúteis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao que já foi dito. Um instrumento que faz justamente isso é a coesão textual. A coesão serve para deixar o texto mais conciso e menos repetitivo. Por isso, utilizar-se de pronomes demonstrativos, conjunções e elipses são formas de deixar o seu texto mais conciso e, ao mesmo tempo, substancialmente completo.

Ademais, é recomendável que, ao construir o texto, você observe a estrutura argumentativa do texto. A presença de um tópico frasal, argumento principal e secundário são importantes na construção de uma comunicação oficial.

Tão é verdade que o próprio MRPR traz uma orientação nesse sentido. Veja:

“Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe em todo texto de alguma complexidade: ideias fundamentais e ideias secundárias. Estas últimas podem esclarecer o sentido daquelas detalhá-las, exemplificá-las;”

Logo, um texto conciso é aquele organizado de modo que as ideias possuam um encadeamento lógico, sem repetições e sem argumentos desnecessários. Para que isso ocorra, deve usar elementos coesivos. Relembro que essas características textuais compõe o Espelho de Correção da Banca na parte de Estrutura, a que vale mais pontos:

ESTRUTURA:

a) respeito ao gênero solicitado, em conformidade com as especificações do Manual da Presidência da República (2002);

 

b) uniformidade e encadeamento de ideias;

 

c) coesão textual (articulação de frases e parágrafos).

Todavia, em uma situação que realmente não tenha nada para discorrer (exceção), então seria prudente ser bem mais objetivo e deixar linhas em branco, mas seguindo a estratégia que será apresentada na resposta à próxima pergunta.

Devo deixar linha em branco (espaçamento) entre as partes da Redação Oficial?

Meu posicionamento é de que não é necessário deixar espaços entre as partes da Redação Oficial (destinatário, vocativo, fecho etc), de modo a aproveitar ao máximo as linhas para desenvolver um texto completo e bem organizado.

Uma Comunicação Oficial como o Ofício possui 14 linhas só de estrutura (sem deixar linhas em branco). Logo, em uma redação de 30 linhas, você teria apenas 16 linhas para desenvolver o conteúdo.

Todavia, se optar por deixar uma linha de espaço em cada um dos termos, poderá perder mais 8 linhas, sobrando apenas 8 linhas para desenvolver o conteúdo. Isso pode prejudicar significativamente a sua nota tanto em Conteúdo quanto em Estrutura.

Entendo que o candidato possa deixar um espaçamento entre as partes da redação oficial, desde que não prejudique a estrutura formal e argumentativa do texto. Isso pode ocorrer quando o conteúdo cobrado for um encaminhamento de documentou ou algo mais simples. Contudo, tenha muito cuidado com esse tipo de questão. Explico o motivo.

Segundo o Manual de Redação da Presidência da República, a divisão do conteúdo (introdução, desenvolvimento e conclusão) também compõe a ESTRUTURA DO PADRÃO OFÍCIO, que é aplicado em várias comunicações oficias. Veja como o MRPR trata essa parte:

“O aviso, ofício e o memorando devem conter as seguintes partes:

e) texto: nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente deve conter a seguinte estrutura:

– introdução, que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, empregue a forma direta;

– desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição;

– conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.

Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em que estes estejam organizados em itens ou títulos e subtítulos.

Já quando se tratar de mero encaminhamento de documentos a estrutura é a seguinte:

introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do motivo da comunicação, que é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documento encaminhado (tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata), e a razão pela qual está sendo encaminhado, segundo a seguinte fórmula:

“Em resposta ao Aviso nº 12, de 1º de fevereiro de 1991, encaminho, anexa, cópia do Ofício nº 34, de 3 de abril de 1990, do Departamento Geral de Administração, que trata da requisição do servidor Fulano de Tal.”

ou

“Encaminho, para exame e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama no 12, de 1o de fevereiro de 1991, do Presidente da Confederação Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.”

desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum comentário a respeito do documento que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimento; em caso contrário, não há parágrafos de desenvolvimento em aviso ou ofício de mero encaminhamento.

Destaco que o MRPR traz o termo “devem”, expresso no início do trecho transcrito, o que sugere obrigatoriedade na observância da estrutura do “Texto”. Dessa forma, não incluir um parágrafo de introdução, desenvolvimento e conclusão também representa falha de ESTRUTURA, além de prejuízo ao CONTEÚDO. Essa divisão só não é aplicada em plenitude quando se tratar de mero encaminhamento de documento, no qual exclui-se a necessidade de um parágrafo de conclusão. No entanto, ainda nesse caso, é preciso escrever introdução e desenvolvimento.

Logo, percebe-se que é mais grave não estruturar bem o conteúdo, do que deixar de inserir um vocativo ou um fecho, pois esta última falha impacta na nota apenas de Estrutura, enquanto aquela prejudicará a sua nota tanto de Conteúdo quanto de Estrutura.

Ademais, no que se refere ao espaçamento, se observar os exemplos de documentos no MRPR, verá que só a “Mensagem” e a “Exposição de Motivos” identificam a distância correta entre o “tipo de documento” e o “Vocativo”, o “Vocativo” e o “texto”, o “texto” e o “fecho” etc. Veja um exemplo da Exposição de Motivos e da Mensagem:

 

Ao contrário desses dois exemplos, a estrutura do Ofício e do Memorando não traz uma distância exata entre as partes que integram o Padrão Ofício.  Veja a diferença do Memorando:

Observe que não há uma distância exata, tão somente um espaçamento que é próprio da formatação dos editores de texto, como o Word por exemplo. Esse espaçamento segue as orientações do item 3.2 do MRRP, que trata da “Forma de diagramação”. Lá, é especificado tipo de letra, fonte, tamanho, distância entre margens, uso de negrito, itálico e sublinhado, entre outras informações. No que diz respeito à espaçamento, o Manual traz o seguinte:

3.2 Forma de diagramação:

(…)

h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor de texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em branco;

Destaquei em negrito os termos “editor de texto” para reforçar que essas orientações são para documentos configurados em um ambiente online, computacional, mas não em uma redação escrita à mão. Seguir todas as orientações de diagramação à mão é impossível. Por exemplo, o MRPR pede para que o Assunto seja em negrito. Como fará negrito na sua prova?  Orienta também que a letra deve possuir tamanho 12 no texto em geral e 11 nas citações. Como fará a diferenciação de tamanho da letra?

Dessa forma, toda a parte de “formas de diagramação” é direcionada para editores de texto, logo, não precisa ser seguida à risca pelo candidato, uma vez que a redação feita à mão possui algumas limitações. E isso se aplica também ao espaçamento.

Tão se faz verdade que o Edital destaca:

“9.8 Na Prova Discursiva – Redação Oficial deverão ser rigorosamente observados os limites de espaço estabelecidos na folha da prova, sob pena de perda de pontos a serem atribuídos à Redação.”

Ora, se a folha de resposta estabelece os limites de espaço, não é necessário pular linhas, pois acredito que, a depender do tipo de documento a ser cobrado, você pois pode ficar sem espaço para desenvolver a parte de “Texto” e acabar prejudicando sua nota nos critérios “Conteúdo” e “Estrutura.

Claro que não se trata de uma regra fixa. Numa situação em que o conteúdo possa ser inserido adequadamente em menos linhas, o candidato pode optar por deixar uma linha em branco entre “endereçamento” e “assunto”, entre “assunto” e “vocativo” e/ou entre “vocativo” e “texto”.

 

Espero que esse artigo tenha sido útil para você. Infelizmente, não foi possível trazer todas as informações necessárias para que você tire a nota máxima. Há outras informações úteis que são de fundamental importância.

Veja também:

 

Preparei um Curso de Redação Oficial totalmente direcionado para o concurso da CLDF. O diferencial do curso é que ele toma como base apenas o MRPR. Isso é de suma importância, pois a Administração Pública possui diversos outros Manuais de Redação que as vezes vão de encontro com as estruturas do Manual da Presidência. Logo, procurar modelos de documentos oficiais na internet que não são direcionados para o concurso da CLDF pode não ser uma boa estratégia de estudo.

Além disso, um curso focado na CLDF facilita muito a sua vida, pois você irá estudar apenas aquilo que é necessário para a sua prova. Se quiser saber mais, preparei uma aula gratuita com bastante conteúdo e com mais informações sobre o concurso da CLDF.

Forte Abraço!


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