A responsabilidade é um dos ternas mais importantes da ética contemporânea. O que chamamos de ética é a teoria que engloba a discussão sobre a ação humana. Ela discute as motivações, os efeitos e as reações de nossos atos. Mas é também o adjetivo que atribuímos a certas ações e pessoas. Nos dias de hoje, usamos tanto a palavra “ética” porque há um desejo universal para que ela se torne concreta entre nós. Falar nela – e muito – é importantíssimo, mas sem esperar que ela seja uma palavra mágica.
Costumamos dizer que alguém é ou não ético mesmo sem saber o que isso realmente pode significar. Pelo uso indevido, vemos a palavra na boca dos não-éticos. Por isso, é preciso cuidar do que fazemos com ela para que, em tempos de banalização do sentido das coisas, não venha perder seu significado e, assim, continue valendo corno algo fundamental.
Do mesmo modo, é preciso cuidar do uso da palavra “responsabilidade”. Também ela é usada corno palavra mágica, de efeito imediato, corno se a palavra já definisse que algo está a se realizar pelo simples fato de ser dito.
A ética moderna e contemporânea é uma teoria explicativa que deriva de teorias sobre os fundamentos existenciais e históricos sobre o que é o ser humano. Sua idéia básica é que por trás de todas as ações há um sujeito que tem racionalidade e vontade consciente para fazer o que faz. Supõe-se que a liberdade é um potencial da consciência humana, que cada um é capaz de saber o que faz. E esse é o maior problema quando a questão é a responsabilidade, pois nem todo mundo sabe o que faz.
(Texto adaptado. Mareia Tilburi, Nós somos nossos atos. In: Vida simples, abril, 2007. p.52)