I
As mudanças climáticas estão alterando significativamente os padrões climáticos globais, e o sul do Brasil não é exceção. Os impactos dessas mudanças na região são evidentes principalmente na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e prolongadas, que podem levar a inundações devastadoras. As enchentes ocorridas em abril e maio de 2024 no Rio Grande do Sul são um exemplo claro desse fenômeno.
As projeções climáticas indicam que o sul do país está se tornando mais suscetível a eventos extremos de chuva devido às mudanças climáticas. O aumento da temperatura média global provoca maior evaporação da água dos oceanos, aumentando a umidade atmosférica disponível para precipitação. Além disso, mudanças na circulação atmosférica e oceânica, como o fenômeno El Niño, podem intensificar os padrões de precipitação na região, aumentando o risco de chuvas extremas e inundações.
As enchentes no Rio Grande do Sul foram influenciadas por combinação de fatores locais e remotos. Enquanto as condições meteorológicas imediatas, como chuvas intensas e sistemas de baixa pressão, são as causas diretas das inundações, a Amazônia tem um papel indireto mas significativo. A alteração dos padrões de chuva devido à degradação da floresta pode aumentar a frequência e a intensidade das chuvas extremas, elevando o risco de inundações no sul do Brasil.
https://theconversation.com/qual-o-futuro-do-rio-grande-do-sul-conheca-as-estrategias-possiveis-e-os-desafios-inevitaveis-para-reerguer-e-proteger-a-regiao-230656#:~:text=Os%20impactos%20dessas%20mudan%C3%A7as%20na,um%20exemplo%20claro%20desse%20fen%C3%B4meno.)
II
Os primeiros alertas globais acerca dos efeitos da ação humana sobre o meio ambiente podem ser situados em 1972, ano em que as Nações Unidas realizaram a primeira grande conferência sobre o meio ambiente, em Estocolmo (Suécia). De lá para cá houve uma série de outros encontros que promoveram discussões amplas a esse respeito, e os variados aspectos das mudanças climáticas entraram de vez na agenda da pesquisa científica.
Desde os anos 2000, os relatórios globais do IPCC trouxeram alertas para o perigo iminente da elevação da temperatura média do planeta em função da emissão de gases-estufa – razão pela qual também se ouve falar em “aquecimento global” como expressão equivalente a “mudança climática”. Mais do que previsões, esses alertas apontam tendências e mostram que os efeitos das mudanças climáticas já são uma realidade.
A saúde das pessoas é um dos aspectos impactados: dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, entre 2030 e 2050, efeitos das mudanças climáticas devem causar 250 mil mortes a mais por ano, por causas como desnutrição, diarréia, malária e estresse térmico. “A gente não costuma associar o clima quente a problemas de saúde, em comparação com o frio, mas, com as mudanças climáticas, as ondas de calor têm sido cada vez mais frequentes e extremas, e isso tem muito impacto na saúde das pessoas”, observa o professor Mário Quadro. O clima muito quente e seco pode agravar condições crônicas como diabetes, asma e hipertensão, além de aumentar o risco de transmissão de doenças infecciosas.
As mudanças nos padrões do clima tendem a tornar mais frequentes não apenas as ondas de calor, mas também as de frio, fenômenos como vendavais e granizo e ocorrências de chuvas em excesso, como foi o caso recente no Rio Grande do Sul. Tudo isso pode ter impactos maiores ou menores dependendo das características das regiões atingidas, como explica Mário Quadro. “É uma conta que tem que levar em consideração vários fatores. Às vezes a gente tem um evento que é concentrado mas que ocorre numa região muito habitada, e aí o dano é gigantesco, catastrófico, mesmo que afete só uma cidade. No caso atual, foi um evento de muita chuva que teve impactos em muitas cidades ao mesmo tempo, por causa da distribuição dos rios”, comenta o professor. “Não só o Sul, mas o Brasil vai ter que repensar sua capacidade de lidar com esse tipo de fenômeno.”
https://www.ifsc.edu.br/web/ifsc-verifica/w/mudancas-climaticas-e-enchentes-no-sul-do-brasil-que-licoes-temos-a-aprender-)
Texto III
O IPCC lançou seu novo Relatório sobre Mudanças Climáticas em 2023, atualizando e sintetizando as informações de vários relatórios anteriores. IPCC é o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, constituído por um grupo de cientistas estabelecido pelas Nações Unidas para monitorar e assessorar toda a ciência global relacionada às mudanças climáticas.
Esse relatório nos traz notícias sobre o aumento de compromissos assumidos por alguns países em relação à utilização de tecnologias de baixo carbono. Entretanto, o relatório aponta que essas medidas ainda são insuficientes. Mesmo se todos os países do mundo implementarem todos os seus compromissos climáticos, isso provavelmente não evitará que o aquecimento global produza mudanças irreversíveis para alguns ecossistemas ao redor do mundo, o que seria fatal para as pessoas e toda a biodiversidade que dependem deles.
O relatório informa:
Barreiras sistêmicas limitam a implementação de opções de adaptação em setores, regiões e grupos sociais vulneráveis […]. As principais barreiras incluem recursos limitados, falta de engajamento do setor privado e sociedade, mobilização insuficiente de financiamento, falta de compromisso político, pesquisa limitada e/ou lenta e baixa compreensão da ciência de adaptação e um baixo senso de urgência. A inequidade e a pobreza também limitam a adaptação, levando a limites flexíveis e resultando em exposição e impactos desproporcionais para os grupos mais vulneráveis […]. As maiores lacunas de adaptação existem entre os grupos populacionais de menor renda […]. Como as opções de adaptação costumam ter longos períodos de implementação, o planejamento de longo prazo e a implementação acelerada, especialmente nesta década, são importantes para reduzir as lacunas de adaptação, reconhecendo que ainda há restrições em algumas regiões […]. A priorização de opções e transições de adaptação incremental para transformacional são limitadas devido a interesses constituídos, engessamentos (lock-ins) econômicos, dependências institucionais de trajetória e práticas, culturas, normas e sistemas de crenças prevalecentes […]. Muitas lacunas de financiamento, conhecimento e práticas permanecem para uma implementação, monitoramento e avaliação eficazes da adaptação […], incluindo, falta de alfabetização climática em todos os níveis e disponibilidade limitada de dados e informações […]; por exemplo, para a África, restrições severas de dados climáticos e inequidades no financiamento de pesquisa e liderança reduzem a capacidade de adaptação […].
IPCC, 2023: Summary for Policymakers. In: Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth
Com base nos textos motivadores, elabore um texto dissertativo-argumentativo contínuo, entre 20 e 30 linhas, acerca do seguinte tema:
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
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(Bianca Mingote. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/. Acesso em: julho de 2024.)
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