Texto 1
A neurocientista cognitiva americana Maryanne Wolf costuma ser abordada, em suas palestras e aulas, por pessoas que se queixam de não conseguir mais se concentrar em textos longos ou se envolver com a leitura tão profundamente quanto conseguiam antes. A razão, segundo a pesquisadora da Universidade da Califórnia (UCLA), é que o excesso de tempo em telas e os hábitos digitais associados a isso estão mudando radicalmente a forma como muitos de nós processamos a informação que lemos.
Segundo o livro de Wolf O Cérebro no Mundo Digital – Os desafios da leitura na nossa era e algumas pesquisas sobre o tema, o fato de lermos cada vez mais em telas, em vez de papel, e a prática cada vez mais comum de ler apenas superficialmente múltiplos textos e postagens online pode estar dilapidando nossa capacidade de entender argumentos complexos, de fazer uma análise crítica do que lemos e até mesmo de criar empatia por pontos de vista diferentes do nosso.
A preocupação principal de Wolf e de acadêmicos como ela é o que acontecerá com as gerações mais jovens, habituadas desde os primeiros anos de vida a passar horas nos celulares e tablets e a consumir ali toda a sua informação, com rapidez e diversas distrações. “É isso o que me preocupa nos mais jovens: eles estão desenvolvendo uma impaciência cognitiva que não favorece a leitura crítica”, diz a acadêmica.
(Paula Adamo Idoeta. Hábitos digitais estão “atrofiando” nossa habilidade de leitura e compreensão?.
Disponível em: https://www.bbc.com. 25.04.2019. Adaptado)
Texto 2
Embora a leitura seja um direito, no Brasil, ela ainda é um desafio; cerca de 40% da população não leu nenhum livro nos últimos 3 meses. Com a chegada inevitável das tecnologias, a leitura digital pode ser um instrumento para estimular a habilidade leitora entre os cidadãos cada vez mais conectados ao mundo virtual.
A leitura por meio das tecnologias digitais possui aspectos positivos para o desenvolvimento dos leitores. Por ser mais acessível e flexível, ela pode ser realizada em diferentes momentos. Ela permite que o leitor tenha mais flexibilidade na hora de decidir como e onde realizará a leitura. Ademais, com plataformas cada vez mais interativas, as pessoas ganham autonomia e protagonismo em seu próprio processo de formação leitora, pois, ao mesmo tempo em que leem, conseguem interagir virtualmente e trocar indicações de leitura com outras pessoas.
Por fim, nesse contexto, é preciso considerar que os aparelhos eletrônicos são cada vez mais populares. Ao mesmo tempo, o custo de um livro impresso ainda é alto, tornando-o menos acessível. Esse custo não reflete só no consumidor final, mas afeta as bibliotecas e as escolas do país, que contam com um acervo limitado. Logo, as versões digitais permitem o acesso a um público maior e aumentam o repertório, democratizando a leitura.
Além disso, tendo em vista o potencial dos acervos virtuais, a leitura digital pode garantir o trabalho com gêneros textuais diversos. De textos jornalísticos aos grandes clássicos literários, a leitura digital abre portas para um universo de possibilidades. Os jovens e adolescentes são diariamente confrontados com o mundo digital e suas demandas e, quanto maior for o repertório e a intimidade com as novas tecnologias, mais preparados estarão para lidar com esse universo e para filtrar as informações que recebem.
(Leitura digital: saiba como a tecnologia pode ajudar na formação de leitores.
Disponível em: https://jornadaedu.com.br. 15.07.2021. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
O USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS ESTIMULA OU PREJUDICA A PRÁTICA DA LEITURA?
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(www.wwf.org.br, 05.06.2024. Adaptado.)
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