Estrangeirismo: se facilita a comunicação, tá valendo.
Por Alexandre Carvalho
Você já reparou que algumas palavras estrangeiras que usamos não têm equivalente no Brasil? É natural também que invenções de outros países cheguem aqui com o nome que lhes deram em sua terra natal. Pense na pizza. Mas pense também em tecnologia. Se a palavra estrangeira vem a bordo de uma inovação tecnológica, a probabilidade de permanecer é relevante. Quando falamos num “farol de LED” do carro, LED é a sigla inglesa para light-emitting diode. É muito mais fácil usar o termo que já veio com a tecnologia do que dizer que nosso carro tem um farol que funciona com “diodo emissor de luz”.
Antes que recursos sofisticados de segurança fossem obrigatórios nos carros brasileiros, como o anti-lock braking system (freio ABS), já falávamos inglês para usar nosso computador pessoal. Tente arrumar um equivalente para mouse (o acessório de informática, não o roedor). O dicionário Houaiss sabe dizer o que é: em versão resumida, um dispositivo dotado de um a três botões que, ao ser movimentado, provoca o deslocamento análogo de um cursor na tela de um computador.
Poxa, para que arrumar um termo que condense tanta informação se os americanos já criaram, com uma palavrinha só, um apelido simpático para o gadget? E os mais antigos, com fio, pareciam ratinhos mesmo. Portugal resolveu a questão de um modo simples, sem inventar um termo próprio: traduziu literalmente o apelido inglês. Os portugueses mexem seus cursores usando um “rato”.
O estrangeirismo, de qualquer maneira, é sempre bem-vindo quando facilita a comunicação. Outro exemplo bem atual é o anglicismo “testei positivo para Covid”. Se seguíssemos a norma culta nesse aviso infeliz aos familiares, o certo mesmo seria dizer “me submeti a um exame de Covid e o resultado foi positivo” (praticamente o dobro de palavras). Para que complicar?
Aliás, falando em Coronavírus, não há brasileiro vivo que ignore o sentido de trabalhar em home office. Cá entre nós, uma tradução para o português geraria dubiedade. Um “escritório em casa” soa como algo bem estabelecido, definitivo até, como o consultório de Sigmund Freud, que ficava na residência dele. Já “home office” a gente entende como uma alternativa ao trabalho presencial numa empresa ou num cliente, que pode ser um arranjo provisório ou não. Na forma como o termo está, em inglês, ele é a definição perfeita desse arranjo mal ou bem-sucedido (tente fazer com duas crianças pequenas correndo pelos cômodos).
Os exageros no estrangeirismo tendem a passar, como as paletas mexicanas. Mas o uso que facilita a comunicação vai vingar sempre. E a Língua Portuguesa no Brasil – que os portugueses chamam pejorativamente de “brasileiro” – vai continuar se enriquecendo com palavras e expressões que não teriam como surgir por aqui.
(Disponível em: https://super.abril.com.br/sociedade/o-bem-e-o-mal-do-estrangeirismo – texto adaptado
especialmente para esta prova).
A partir do texto motivador, você deve redigir um texto de caráter argumentativo no qual você exponha sua opinião a respeito do questionamento a seguir:
Você é a favor ou contra o uso de palavras estrangeiras em Língua Portuguesa?
Em seu texto, você deve:
– Deixar seu posicionamento claro.
– Dar exemplos do uso de palavras estrangeiras em seu cotidiano (diferentes das apresentadas pelo texto-base dessa prova), justificando por que você é a favor ou contra seu uso.
Lembre-se de fundamentar suas ideias de forma criativa e original, valendo-se de argumentos consistentes e que sustentem seu ponto de vista.
CONTEÚDO EXCLUSIVO
Confira nossos planos especiais de assinatura e desbloqueie agora!
CONTEÚDO EXCLUSIVO
Confira nossos planos especiais de assinatura e desbloqueie agora!
Ops! Esta questão ainda não tem resolução em vídeo.
Questões Relacionadas
Considere as ponderações do seguinte texto:
Costuma-se afirmar que “contra fatos não há argumento”.
O problema está, no entanto, na consideração do que seja realmente um fato indiscutível, sobretudo numa época de fake news. Há quem propague inverdades como fatos justamente para não serem discutidos.
Antes de aceitar mecanicamente a ocorrência de fatos amplamente propagados, convém avaliar as condições em que teriam ocorrido e os interesses envolvidos em sua propagação.
Redija um texto dissertativo-argumentativo no qual você se posicionará criticamente diante das ponderações do texto acima.
Polícia Civil combate corrupção na saúde pública estadual
A Polícia Civil de Goiás a Operação Hipócrates, que combate esquema de corrupção no sistema estadual de regulação de vagas de atendimento médico.
A investigação informou que a polícia descobriu, entre outras fraudes, o pagamento de propina de até R$ 5 mil a operadores do sistema de regulação para incluir pessoas indevidamente, furando a fila de atendimentos no sistema público de saúde.
Além de furar a fila no sistema, os fraudadores alteravam também o nível de prioridade, falseando justificativas médicas para agilizar o atendimento dos corruptores. Em alguns casos, foi descoberto no esquema o desvio para facilitar até cirurgias estét…
Leia o texto a seguir:
Hoje, dezembro de 2025, há uma reflexão permanente sobre o futuro do mercado de trabalho, envolvendo inúmeras questões, desde as tendências sobre as profissões mais promissoras até as habilidades necessárias para enfrentar os desafios que a tecnologia impõe. O agora e o futuro do trabalho se revestem de tendências tecnológicas, habilidades diferenciadas e modelos inovadores. Trabalhar em casa, na empresa ou equilibrando esses momentos tem modificado a relação empregado-empregador e, de certa forma, favorecido a vida pessoal de cada um de nós.
A partir da leitura do texto motivador, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema a seguir:
Qual é o futuro do mu…




