Texto 1
O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) publicado em agosto de 2021 mostrou que o papel da influência humana no aquecimento do planeta é inequívoco e inquestionável.
A meta do IPCC é limitar a alta da temperatura a 1,5ºC: atualmente, esse número já subiu cerca de 1ºC e eventos extremos do clima já afetam todo o globo. Embora governos e empresas tenham papéis fundamentais na mitigação da emissão de gases de efeito estufa, especialistas ouvidos pelo G1 apontam que a soma de ações individuais também pode efetivamente ajudar a diminuir o impacto do aquecimento global.
Isso porque todo ser humano está envolvido em atividades que emitem, direta ou indiretamente, gases de efeito estufa no seu dia a dia. Os pesquisadores deram para isso o nome de pegada de carbono: medida de cálculo equivalente à emissão na atmosfera por pessoa ou entidade.
Países mais ricos têm uma média maior de emissão: nos EUA, uma pessoa emite 16 toneladas de gases de efeito estufa, enquanto a média global é de cerca de quatro toneladas. Para evitar um aumento de 2ºC na temperatura, os cientistas dizem que é preciso diminuir essa média para duas toneladas, de acordo com a organização Nature Conservancy.
Com a ressalva de que não é possível sugerir as mesmas posturas para pessoas de diferentes classes de renda, especialistas alertam que a maioria das oportunidades para diminuir nossa pegada de carbono estão, por exemplo, nas boas escolhas no uso dos meios de transporte (evitar o uso do automóvel e de viagens de avião) e na mudança da alimentação (diminuir o consumo de carne).
(“Aquecimento global: o que as pessoas podem fazer na prática para reduzir o impacto no clima”. https://g1.globo.com. 10.08.2021. Adaptado)
Texto 2
A tensão superficial a respeito dos impactos ambientais domina mesmo quando afirmamos estar lidando com a destruição dos nossos sistemas de suporte de vida causada pela mudança climática. Concentramo-nos naquilo que é denominado de micro-bolhas consumistas (MCB): pequenas questões como colherinhas de plástico e copos de café, em vez das enormes forças estruturais que nos conduzem à catástrofe. Somos obcecados por sacos de plástico. Acreditamos que estamos fazendo um favor ao mundo ao rejeitar sacolas plásticas, embora, em uma estimativa, o impacto ambiental de produzir uma sacola de algodão orgânico seja equivalente ao de 20.000 sacolas plásticas.
O foco corporativo no lixo, ampliado pela mídia, distorce nossa visão sobre todas as questões ambientais. Por exemplo, um recente levantamento das crenças públicas sobre a poluição dos rios descobriu que “lixo e plástico” são de longe a maior causa nomeada pelas pessoas. Na realidade, a maior fonte de poluição de água é a agricultura, seguida pelo esgoto. O lixo está muito abaixo da lista. Não é que o plástico não seja importante. O problema é que é quase a única história que nos chega.
Em 2004, uma empresa de publicidade que trabalha para uma gigante petrolífera levou a mudança de culpa um passo à frente ao inventar a pegada pessoal de carbono. Foi uma inovação útil, mas também teve o efeito de desviar a pressão política dos produtores de combustíveis fósseis para os consumidores. As grandes corporações petrolíferas não param por aí. O exemplo mais extremo já visto foi um discurso do chefe executivo de outra grande companhia petrolífera, em 2019. Ele nos instruiu para “comer sazonalmente e reciclar mais”, e repreendeu publicamente seu motorista por comprar uma cestinha de morangos em janeiro.
A grande transição política dos últimos 50 anos, impulsionada pelo marketing corporativo, foi uma mudança da abordagem coletiva dos nossos problemas para a abordagem individual. Em outras palavras, ela nos transformou de cidadãos em consumidores. Não é difícil ver por que temos sido levados por esse caminho. Como cidadãos, unidos para exigir mudanças políticas na condução da crise climática, somos poderosos. Como consumidores, por sua vez, somos quase impotentes.
(George Monbiot. “Monbiot: não acredite em poupar canudinhos”. https://outraspalavras.net. 08.11.2021. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Combate às mudanças climáticas: responsabilidade dos indivíduos ou das grandes corporações?
Ops! Esta questão ainda não tem padrão de resposta.
CONTEÚDO EXCLUSIVO
Confira nossos planos especiais de assinatura e desbloqueie agora!
Ops! Esta questão ainda não tem resolução em vídeo.
Questões Relacionadas
Texto 1
Cada vez mais, empresas e fábricas implantam tecnologias acionadas por algoritmos inteligentes e que trabalham lado a lado das pessoas. Uma das maiores referências de Inteligência Artificial (IA) no mundo, Andrew Ng, prevê que o avanço da Inteligência Artificial tem potencial para adicionar mais de 10 trilhões de dólares na economia global até 2030.
De fato, os robôs substituirão os humanos em muitos trabalhos, mas o que muitas pessoas não veem é que isso não é necessariamente algo negativo ou para se temer. Uma automação feita com Inteligência Artificial resolve problemas cotidianos mais recorrentes, principalmente, e isso dá a oportunidade para as pessoas focarem em atividades mais…
Texto 1
Os Modelos de Linguagem de Grande Escala (Large Language Models ou LLMs) são um tipo de modelo de Inteligência Artificial (IA) criado para entender e gerar textos. Esses modelos são treinados em grandes volumes de dados da internet, aprendendo padrões sobre como as palavras e frases são comumente usadas juntas. O ChapGPT é um exemplo de LLMs.
(Data Science Academy. “O que são Large Language Models (LLMs)”. https://blog.dsacademy.com.br, 19.06.2023. Adaptado.)
Texto 2
Roberto Pearl, professor da Escola de Medicina de Stanford e ex-diretor da Kaiser Permanente, grupo de médicos dos Estados Unidos com mais de 12 milhões de pacientes, defendeu o uso do ChatGPT por parte dos profissionais…
TexTo 1
A interação de crianças com a internet ocorre cada vez mais cedo e de forma ampla. Cerca de um terço dos usuários da rede no mundo é de crianças e adolescentes, segundo dados da pesquisa TIC Kids on-line, produzida pelo Comitê Gestor da Internet (CGO.br). Ao todo, 95% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos acessaram a internet em 2023. Entre as crianças de 9 a 10 anos, 68% disseram ter perfis em redes sociais.
“Importante destacar as oportunidades de aprendizado e entretenimento e acesso a direitos fundamentais dessa presença de crianças e adolescentes no ambiente digital, mas também os riscos de exploração, exposição e acesso a conteúdos ina propriados”, diz Maria Mello, coorden…



