A seguinte situação é apresentada:
Um grupo de vereadores, com forte apoio popular, encaminhou projeto de lei à respectiva Casa Legislativa promovendo o aumento da remuneração de todos os servidores públicos municipais.
O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal e sancionado pelo Chefe do Poder Executivo em solenidade muito festiva, tornando-se, portanto, lei.
Pouco tempo depois, o Prefeito Municipal arrependeu-se de ter apoiado a iniciativa e solicitou à Procuradoria do Município que analisasse a possibilidade de não cumprir a lei.
À luz do exposto, responda de forma fundamentada:
a) A lei apresenta algum vício de inconstitucionalidade?
b) O Prefeito municipal pode deixar de cumprir a lei?
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A situação descrita levanta questões importantes sobre a constitucionalidade e a execução das leis.
a) No contexto apresentado, não parece haver um vício de inconstitucionalidade na lei promulgada. A Constituição Federal, em seu artigo 37, inciso X, estabelece que é vedada a vinculação ou equiparação de salários para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público. No entanto, essa proibição não se aplica quando houver previsão em lei específica, como parece ser o caso do projeto aprovado pela Câmara Municipal. Portanto, desde que a lei municipal não viole outras normas constitucionais, ela é válida e não apresenta vício de inconstitucionalidade.
b) O Prefeito Municipal não pode simplesmente deixar de cumprir a lei. Uma vez que a lei foi devidamente aprovada pela Casa Legislativa e sancionada pelo Chefe do Executivo, ela possui plena eficácia e deve ser cumprida. A desaprovação posterior do Prefeito não lhe concede o poder unilateral de ignorar ou descumprir a lei. Caso o Prefeito entenda que a lei é prejudicial ou inadequada, ele pode buscar revogá-la por meio de um novo projeto de lei ou contestá-la judicialmente, mas enquanto a lei estiver em vigor, deve ser observada e aplicada. O descumprimento por parte do Prefeito pode configurar improbidade administrativa e violação dos princípios da legalidade e da separação dos poderes.
a)De acordo com a Constituição Federal de 1988, a competência para legislar sobre a remuneração dos servidores públicos é do chefe do Poder Executivo, no caso dos servidores municipais, o Prefeito. Assim, a iniciativa de um grupo de vereadores para promover o aumento da remuneração dos servidores públicos pode ser considerada inconstitucional, pois viola o princípio da separação dos poderes e a competência privativa do Executivo.
b)O Prefeito municipal não pode, por conta própria, deixar de cumprir a lei. Ele deve acionar o Poder Judiciário para obter uma declaração de inconstitucionalidade da referida lei e, somente após a decisão judicial, poderá deixar de cumpri-la, pois cabe ao Poder Judiciário, e não ao Prefeito, a declaração de inconstitucionalidade de leis. O Prefeito não tem competência para, unilateralmente, decidir pelo não cumprimento de uma lei sob o argumento de inconstitucionalidade.