O que vem primeiro, crescimento ou produtividade?
Discussões como a de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, costumam ser uma baita perda de tempo. Mas, no caso da produtividade, o debate pode ter consequências cruciais na formulação de políticas econômicas. O ovo e a galinha, no caso, são o crescimento e a produtividade. A visão clássica é que a segunda determina o primeiro.
No final de julho, no entanto, o economista J. W. Mason, do John Jay College, desafiou essa noção em um artigo para o Instituto Roosevelt. Seu argumento é que não é a produtividade que explica o crescimento, mas o crescimento que faz a produtividade aumentar.
Não é uma simples questão de em qual ponto começar a desenhar o círculo. Com base na tese neoclássica, o governo americano considera que a economia se recuperou da baixa e está crescendo tão rapidamente quanto possível. A maior evidência disso é baixa da taxa de desemprego, a qual implica, segundo os adeptos desta visão, que o país está utilizando praticamente todo o trabalho de que dispõe, e supõe-se que esteja também usando todo o capital e recursos que pode.
Ao colocar em dúvida a versão de que o ovo veio primeiro, ou, no caso, que a produtividade leva ao crescimento, Mason defende que o governo mantenha as políticas de incentivo à produção, com os juros baixíssimos. Seu maior argumento é que a produção em 2016, que seria o ano da saída da recessão, ficou 10% abaixo da previsão feita em 2006. Mason não está sozinho nessa posição. Alguns economistas liberais (que lá eles chamam de conservadores) dizem que a estagnação da produtividade nos últimos anos foi provocada pela insuficiência de investimentos em máquinas e programas.
O problema, portanto, não seria a falta de invenções, e sim o ritmo lento de sua disseminação. E esse ritmo é lento porque o capital não está sendo aplicado como deveria – ou seja, a falta de crescimento impede a adoção de inovações que levariam a mais crescimento.
Aqui no Brasil, onde a produtividade tem um longo histórico de apatia, essa explicação também faz sentido. Costuma-se apontar os culpados de sempre para a baixa produtividade brasileira: educação deficiente que leva a uma força de trabalho menos apta do que seria desejável; impostos; burocracia; infraestrutura precária; e por aí vai.
Mas o Brasil não era melhor do que é hoje até a década de 1970, e teve ganhos de produtividade no período (em grande parte, pela industrialização que o país viveu). Quer dizer, o movimento de crescer gerou aumento de produtividade, e não o oposto.
De acordo com economistas clássicos, as inovações – máquinas novas, sistemas de gestão diferentes – surgem de modo imprevisto, e provocam pequenos (ou grandes) saltos na produtividade: faz-se mais com menos gente. Os computadores, por exemplo, foram amplamente adotados e cerca de 20 anos depois seu impacto na produtividade já era significativo.
Mas Mason argumenta que as inovações estão sempre surgindo. Sua adoção é que é desigual.
Tome-se a robotização e a inteligência artificial, por exemplo. Todo mundo sabe que esses fenômenos têm o poder de potencializar a produtividade. A China vive hoje um processo de acelerada adoção de robôs nas fábricas.
E o Brasil? Aqui, os empresários reconhecem que a mecanização traria ganhos. Mas ela não é uma prioridade. Há outras medidas que poderiam ter impacto maior, acreditam os empresários.
Segundo Mason, a adoção de inovações que favoreçam a produtividade só vai ocorrer em larga escala quando os salários forem altos o suficiente para forçar as empresas a fazer esta opção.
Aqui, ao que parece, nem as galinhas estão pondo ovos, nem os ovos estão sendo chocados para dar origem a galinhas.
(Fonte: EXAME – Publicado em 31 jul 2017 – texto adaptado)
Instruções: Elabore um texto dissertativo-argumentativo, expondo suas ideias sobre o tema proposto. Não se esqueça de criar um título.
TEMA – A produtividade do mundo do trabalho
O texto faz algumas considerações acerca de crescimento e produtividade, trazendo dados interessantes sobre o assunto, discorrendo sobre como esses aspectos se manifestam ou se manifestaram em alguns países, fazendo referência, inclusive, ao Brasil.
Pensando neste termo – PRODUTIVIDADE –, queremos que você reflita sobre ele, buscando demonstrar os aspectos que contribuem para o crescimento da produtividade no mundo profissional, e, ao mesmo tempo, de que maneira a cobrança cotidiana disso pode comprometer a saúde física e mental do trabalhador.
Lembre-se de que sua dissertação deverá apresentar ideias organizadas, de acordo com a norma culta da língua escrita, fundamentada em argumentos consistentes.