ID 530364 Língua Portuguesa (Português) Banca Vunesp Ano 2022 33 linhas

Dissertação, Texto Argumentativo e Redação de Concurso

Texto 1

Com uma câmera acoplada ao ombro direito, o delegado Carlos Alberto da Cunha dá instruções aos subordinados em uma operação para prender um suspeito de ser matador do maior grupo criminoso do país. Em seguida, vira-se para a câmera e explica a seu público como vai se desenrolar a diligência coordenada por ele. Por fim, o criminoso é preso. Todo esse espetáculo, produzido com iluminação e câmeras profissionais, drones, roteiro e edição, está disponível no YouTube, onde a série de três episódios acumula quase 30 milhões de visualizações. O canal, que tem 3,6 milhões de inscritos e rende a seu idealizador, com oito anúncios a cada vídeo, até 350 000 reais mensais, levanta a questão: pode um servidor público se aproveitar dessa forma de seu emprego, exibindo bastidores de operações e fazendo uso de imagens de policiais que portam armas do arsenal do Estado e se deslocam em viaturas da Secretaria de Segurança?

(Marina Lang. “Policiais faturam alto com exibição de cenas de operações na internet”.https://veja.abril.com.br, 20.09.2021. Adaptado)

Texto 2

George Felipe Dantas, doutor pela George Washington University e oficial reformado da Polícia Militar do Distrito Federal, afirma que a profusão dos policiais youtubers é, de forma geral, positiva. Ele diz que a presença de câmeras modifica o comportamento humano para o bem: “Sempre que a gente é observado a gente quer parecer melhor do que a gente é. Assim são policiais e outras profissões também”.

Para o especialista, a transparência é positiva porque permite que a população compreenda melhor o trabalho dos policiais. Ao mesmo tempo, os vídeos também podem ser usados como estudos de caso por pesquisadores do trabalho da polícia. Dantas, entretanto, teme que trechos descontexualizados sejam usados para prejudicar os policiais. “A câmera milita em favor do policial e milita contra o policial. Dependendo do ângulo em que você faz uma filmagem, com descontextualização, as coisas podem ser distorcidas”.

O professor Welliton Maciel, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, afirma que os policiais que filmam suas rotinas de trabalho estão respaldados pela lei. “Filmar a ação policial encontra fundamento legal no exercício do direito fundamental à liberdade de expressão e de fiscalização da atuação do poder público. Muitas vezes, interessa ao próprio policial ter a prova de sua atuação exemplar e em conformidade com a lei”, afirma.

(Gabriel de Arruda Castro. “Policiais mostram combate ao crime no YouTube e somam 1 bilhão de visualizações”. www.gazetadopovo.com.br, 22.05.2021. Adaptado)

Texto 3

É natural que policiais queiram mostrar em seus perfis privados sua rotina. As próprias instituições policiais possuem assessorias e divulgam suas operações junto à mídia tradicional, como forma de informar e trazer transparência ao seu trabalho. Existe, porém, uma linha tênue entre o razoável e a utilização do Estado em benefício próprio.

Os policiais youtubers passam a gravar ações policiais cotidianas em primeira pessoa, se colocando como repórteres da miséria humana, como se estivessem sempre participando de um furo de reportagem. Muitas vezes, os casos registrados são nitidamente “pegadinhas” ou montagens para darem a impressão de que o policial é o herói. Ele narra em tempo real o suposto perigo a que está submetido demonstrando todo o seu desprezo em relação à criminalidade e toda a sua virilidade.

Eles já não gravam mais com as câmeras acopladas aos coletes, e sim com uma verdadeira equipe de gravação, envolvendo câmeras, iluminadores, técnicos de som no melhor estilo “Hollywood”. Ocorre que um dos principais pressupostos da polícia é a impessoalidade e o sigilo, principalmente das operações.

(Leonel Radde. “O Brasil não precisa dos falsos policiais youtubers”. www.cartacapital.com.br, 11.08.2021. Adaptado)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

Em nome da transparência da ação policial, policiais em serviço podem divulgar no Youtube ações de que participam?

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