Ciência, Tecnologia, Internet e Inteligência Artificial
Há 35 anos o Dicionário Cambridge escolhe e publica a “palavra do ano”. Alguns exemplos: em 2017 foi eleita “fake news”, em 2020 “covid”, e em 2025 “parasocial interaction” (interação parassocial). Nem a IA nem esse tipo de adição emocional são fenômenos novos. Em 2013, um filme de ficção originalmente chamado “Her” (“Ela”) contava o que se passou com um escritor ao comprar um novo sistema operacional (Samantha) para seu computador. Ele se apaixona pela Samantha virtual a ponto de desenvolver ciúme em relação à IA. Mais que isso, em sua análise a IA compara-se muito favoravelmente com seus relacionamentos humanos.
O termo “parassocial” teria sido cunhado em 1956 para descrever as ligações psíquicas que telespectadores formavam com personalidades da TV de então e, hoje, volta à cena com força, num ambiente de “influenciadores digitais” e “companheiros” (avatares criados por IA), que se propõem a dialogar conosco e se colocam permanentemente à disposição. “Parassocial” descreve uma condição crescente de vínculos emocionais unilaterais, intensos, que parecem reais a quem os sente, mesmo que não haja reciprocidade real.
A IA não é um objeto como os que conhecíamos: eu tenho a mesma caneta e o mesmo relógio há décadas, e gosto deles, mas eles não mudam nem se adaptam. A IA é fluida, personalizada, responde amavelmente e memoriza nossas opiniões, reforçando-as. O confortável fato de não nos exigir reciprocidade torna o pseudodiálogo uma volta reforçada ao “eu”. Talvez uma forma sofisticada de solipsismo. Neste cenário, nossa privacidade passa por uma crise inédita: nunca depositamos tantos dados, confissões, segredos, angústias e memórias em entidades cujo propósito real não conhecemos. E dados são o motor do circuito econômico que gira a IA: eles são coletados, processados, vendidos e acabam por expor nosso exato perfil.
(Demi Getschko. Disponível em: https://www.estadao.com.br, 01/12/2025. Adaptado)
Considerando as ideias acima, desenvolva um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema:
Interação parassocial: a crescente dependência afetiva da IA
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