TEXTO 1
Como construir um Brasil mais leitor?
Pensar o progresso da leitura no Brasil demanda compreender os perfis dos leitores brasileiros, suas formas de aproximação e distanciamento da literatura e as comunidades que são criadas em torno dos livros.
Um meio de entendermos melhor esse cenário são as pesquisas lançadas a partir da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que desde 2001 mapeia o leitorado nacional. Os dados da pesquisa e autoridades na área indicam meios de ponderar sobre as políticas públicas de leitura, o comércio de livros, a condição de formação dos leitores e as comunidades que são construídas em torno das obras do pensamento e da cultura.
Zoara Failla, coordenadora da Retratos da Leitura no Brasil, responde à pergunta argumentando que: “Você tem que olhar para a escola. A Retratos diz: o principal influenciador é a mãe. Qual mãe? É a mãe leitora, é a mãe que tem nível superior, é a mãe que tem livro em casa. E aqueles que não têm a sorte de nascer numa família leitora? A escola tem um papel fundamental para mais de 70% das crianças brasileiras que não têm a oportunidade de estar dentro de uma família ou de uma casa leitora. Olhando para a escola, onde é que você tem que investir? Que política tem que contemplar uma escola que forma leitores? Primeiramente, [tem de contemplar] o professor, que também não é leitor. A Retratos avaliou o perfil leitor do professor e ele é muito parecido com o perfil leitor do brasileiro. Ele lê poucos livros, lê livros de autoajuda. Precisamos ter políticas de formação de professores, garantir que esse professor seja leitor; garantir uma biblioteca com acervo e com profissional habilitado, que desenvolva atividades integradas e orientadas pelo currículo escolar. [A Retratos mostra que] 61% das escolas brasileiras não têm uma biblioteca e que 48% dos alunos na faixa de 10 a 14 anos dependem dos livros da biblioteca escolar. Como é que formamos leitores? Com um professor leitor, com livros, com possibilidade de acesso a livros dentro da escola, com bibliotecas funcionando adequadamente. Esses pilares são fundamentais para garantir que você consiga, de fato, melhorar esses indicadores de leitores”.
Rosi Rosendo, do Ibope Inteligência, responde à questão argumentando: “A condição de leitor está muito associada ao background dos indivíduos. De que família vieram, o tipo de escolaridade formal que tiveram, se foram de fato incentivados ou se tinham de ler por exigências da escola. Como foi o processo de formação desse leitor? O que desencadeia isso de agora metade da população não ser leitora? A Retratos traz um conjunto de informações que é bem aprofundado em relação aos gaps que temos como resultado do contexto geral de escolaridade da população brasileira. Vemos ali, de fato, o que resulta de uma educação que não enfoca a ação do cidadão – que vai ser muito mais instrumental, muito mais quantitativa, no sentido de colocar muita gente dentro da escola e não necessariamente garantir uma boa qualidade do ensino. E isso se reflete não só nos resultados da Retratos, mas também no Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf)”.
Retirado e adaptado de: RIBEIRO, Duanne. Como construir um Brasil mais leitor? Itaú Cultural. Disponível em:
https://www.itaucultural.org.br/secoes/opiniao/como-construir-um-brasil-mais-leitor
Acesso em: 24 jun., 2024.
TEXTO 2
A importância de um professor leitor
Boa parte das pessoas teve a experiência de começar a ler no ambiente escolar, uma vez que as casas brasileiras, em sua grande maioria, não são ambientes propícios. Sendo assim, se torna comum pais que não leem, crianças sem acesso à leitura – também por razões socioeconômicas. Estevão Azevedo, mestre pela USP e escritor, assegura que mais desafiador que uma criança que vem de uma família assim, é um professor que não lê. Ele conta que a escritora Ana Maria Machado diz que é muito difícil ensinar a se apaixonar pela leitura se o professor também não é. “Se falamos com paixão de uma obra que a gente gosta, há muito mais chances de
alguém ter interesse”, acredita Estevão.
A formação de professores leitores é fundamental para que as crianças se interessem, pois são eles os mediadores desse processo. Estevão explica que os docentes de todas as disciplinas devem praticar a leitura, não apenas o de português ou de redação. “O de geografia pode falar para seus alunos de uma obra que o agradou e que trate de um tema de sua área. Há também os que envolvem a matemática”, exemplifica Estevão, autor do volume de contos O som de nada acontecendo (ed. Record).
Muita gente entende que dentro do universo escolar, a literatura é um instrumento para aprender algo específico. Quando a escola decide adotar uma obra para ensinar geografia ou história, certifica essa ideia, de que o mais importante é o conteúdo que ela transmite sobre algum saber do mundo. Só que isso vai na contramão da boa literatura e do que preconiza a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sobre formar pela fruição literária.
Estevão explica que para desenvolver as crianças desde cedo, a literatura tem importância por si só, e não somente pelos conteúdos que transmite. É essencial que aprendam a enxergar o universo que ela traz: as palavras que são escolhidas, o modo como são agrupadas, o trato com a língua. Há narrativa que fala da água, da história do Brasil, de questões socioemocionais, mas para ser útil, não deve tratar de uma única coisa e de um jeito só. Ela não pode dar apenas uma resposta. “Se uma obra responde a uma pergunta apenas, isso normalmente é má literatura”, complementa Estevão.
A literatura sempre ensina e é por isso que ela não se presta tão bem à função de abordar um único conteúdo. Estevão destaca o poder de lidar com sentimentos, com a alteridade, quando, através de uma história, pode-se viver profundamente a vida de outra pessoa, a ponto de vivenciarmos as emoções de um personagem, porém num ambiente seguro, protegidos pela ficção.
Retirado e adaptado de: CARDIAL, Karen. A importância de um professor leitor. Revista Educação. Disponível
em: https://revistaeducacao.com.br/2022/08/13/a-importancia-de-um-professor-leitor/
Acesso em: 24 jun., 2024.
TEXTO 3

Armandinho. Autor: Alexandre Beck. Disponível em: https://i2.wp.com/blog.crb6.org.br/wp
content/uploads/2013/07/Armandinho-2.jpg?w=1170 Acesso em: 24 jun., 2024.
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita, empregando a norma culta da língua portuguesa, sobre o tema “A escola na formação do leitor: caminhos e possibilidades”. Elabore seu texto pautando-o em argumentos, redija-o de forma coesa e coerente com o tipo textual solicitado.
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