TEXTO 1
A ciência que mira o sofrimento dos animais
O tratamento escrupuloso dos animais, uma preocupação em geral associada a organizações não governamentais (ONG) e a donos (ou tutores) de pets, ganha cada vez mais espaço na agenda de pesquisadores. Cientistas de diferentes áreas envolvem-se na tarefa de produzir conhecimento para reduzir o estresse e dar qualidade de vida aos animais, notadamente aqueles utilizados ou consumidos pelos seres humanos. Dessa mobilização, surgiu um campo interdisciplinar: a ciência do bem-estar animal. Ele integra veterinários, biólogos, psicólogos, especialistas em bioética, entre outros profissionais, em pesquisas que avaliam, para citar alguns exemplos, quais são as condições mais apropriadas para criar e transportar bois e porcos ou para manter ratos ou coelhos utilizados em experimentação científica. Também há estudos que ampliam a compreensão sobre a dor e a cognição dos bichos, essenciais para mensurar níveis de sofrimento, e os que analisam, do ponto de vista ético, as relações entre seres humanos e animais.
O ponto de partida desse campo remonta aos anos 1960, no ativismo contra a crueldade na pecuária do Reino Unido e na convocação de pesquisadores para ajudar a enfrentar o problema. Na academia, um grande marco, em meados da década de 1980, foi a indicação do biólogo Donald Broom, hoje com 81 anos, para criar e ministrar a primeira disciplina de bem-estar animal em uma instituição acadêmica, a Universidade de Cambridge, no Reino Unido. O principal fundamento é a ideia de que animais são seres sencientes, ou seja, possuem a capacidade de experimentar sensações e sentimentos básicos, como frio e calor ou dor e medo, e distinguir as agradáveis das desagradáveis. Quando são retirados de seu hábitat natural para domesticação ou exploração comercial, é responsabilidade dos seres humanos zelar por seu bem-estar, o que inclui, de acordo com os cânones dessa área do conhecimento, três preocupações éticas: que eles possam desenvolver suas capacidades de forma análoga à da vida natural, não sintam dor ou medo e possam sentir prazer e recebam cuidados de forma a ter boa saúde.
Retirado e adaptado de: MANIR, Mônica.; MARQUES, Fabrício. A ciência que mira o sofrimento dos animais. Revista
Pesquisa FAPESP. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-ciencia-que-mira-o-sofrimento-dos-animais Acesso
em: 18 jul., 2024.
TEXTO 2
Farmacêutica brasileira ganha prêmio internacional por projeto que substitui testes em animais
Lauren Dalat, mestranda em Farmácia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), conquistou o prêmio Lush Prize 2024 em Londres, recebendo 10 mil libras esterlinas (aproximadamente R$ 69.000). Aos 25 anos, Lauren se destacou na categoria Jovem Pesquisador com um projeto inovador que propõe substituir testes em animais na indústria de cosméticos por um modelo utilizando células-tronco de dentes humanos.
A pesquisa de Lauren demonstrou que as células-tronco dentárias podem ser usadas para identificar substâncias em cosméticos que causam malformações congênitas em bebês, oferecendo uma alternativa mais confiável e ética aos métodos tradicionais. Atualmente, os testes são feitos em animais, mas, segundo Lauren, esses experimentos nem sempre refletem com precisão as reações humanas. “Primeiramente, utilizamos compostos conhecidos por sua teratogenicidade para avaliar se as células-tronco humanas são um modelo de triagem confiável. Até o momento, não avaliamos especificamente a interferência de cosméticos neste modelo. No entanto, já é amplamente reconhecido que substâncias como os retinoides, por exemplo, não são recomendáveis durante a gestação devido aos riscos que representam para os fetos”, explicou Lauren.
Lauren é orientada pela professora doutora Marize Campos Valadares, no Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro da Faculdade de Farmácia da UFG (Tox In-FF/UFG). A jovem pesquisadora ressaltou que sua alternativa de testagem é mais confiável e ética, garantindo a segurança dos consumidores sem o uso de animais. “Para a proposta do Lush Prize 2024, combinamos o modelo 3D de pele com esferas derivadas de células-tronco para verificar se a aplicação tópica de cosméticos pode causar algum dano a essas esferas”, explicou Lauren.
Retirado e adaptado de: CRFSE. Farmacêutica brasileira ganha prêmio internacional por projeto que substitui testes em
animais. Disponível em: https://crfse.org.br/noticia/1672/farmaceutica-brasileira-ganha-premio-internacional-por
projeto-que-substitui-testes-em-animais
Acesso em: 22 jul., 2024.
TEXTO 3

Testes em animais. Disponível em: https://miro.medium.com/v2/resize:fit:1000/1*bWaBVupsZlYK3ip7Ge9yFg.jpeg
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita, empregando a norma culta da língua portuguesa, com extensão entre 15 e 25 linhas, sobre o tema “O uso de animais em experimentos na área da saúde: aspectos éticos e científicos”.
Elabore seu texto pautando-o em argumentos, redija-o de forma coesa e coerente com o tipo textual solicitado.
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