Texto 1
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu uma representação ética contra uma campanha publicitária, na qual a cantora Elis Regina, que morreu em janeiro de 1982, aos 36 anos, aparece cantando, enquanto dirige um veículo.
Na propaganda, Elis surge ao lado de sua filha, a cantora Maria Rita, que aparece dirigindo um modelo mais moderno do veículo. Elas cantam juntas a música “Como nossos pais”, passando uma ideia de que a cena foi real, quando, na verdade, foram utilizadas uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) e uma dublê de Elis.
A ferramenta é considerada perigosa, pois é capaz de trocar rostos de pessoas em vídeos e sincronizar com os movimentos da boca e olhos para dar esse efeito de uma cena real.
Em nota, o Conar afirma que a representação foi motivada por queixas de consumidores, os quais estão questionando se é ético utilizar IA para dar a impressão de que uma pessoa que já morreu está viva, como na propaganda. Algumas questões abordadas têm relação com respeito à personalidade e existência da artista e à veracidade.
(Conar abre representação ética contra propaganda que usou imagem de Elis Regina com IA. https://natelinha.uol.com.br. 12.07.2023. Adaptado)
Texto 2
Utilizar a Inteligência Artificial (IA) para que uma pessoa já falecida participe de uma publicidade seria ação indevida ou homenagem póstuma? O comercial em que a magnífica cantora Elis Regina é “revivida” pela IA e canta em dueto com sua filha, Maria Rita, avança além de limites éticos? Do ponto de vista das relações de consumo, há um grande problema: Elis não foi nem poderia ter sido consultada sobre seu interesse em participar deste comercial. Logo, o consumidor é induzido a erro, julgando que Elis tivesse relação próxima com aquela marca e aquele modelo de veículo.
Primeiramente, do ponto de vista artístico, ver e ouvir Elis cantar em dueto com a filha, também grande cantora, é bonito e emocionante. Mas não é apenas uma homenagem. Obviamente, é um anúncio com o interesse de aumentar as vendas de um modelo de veículo.
Sem dúvida, a família autorizou o uso da imagem e da voz da cantora, mas isso não significa que ela concordasse com isso. E a discussão nem é essa. Tratamos aqui de como preservar, após a morte, a imagem de personalidades em várias áreas artísticas, culturais e esportivas.
É difícil aceitar que se use a imagem (e a voz) de alguém para fins comerciais sem sua expressa autorização.
(Maria Inês Dolci. Somente Elis poderia autorizar uso de imagem e voz em comercial da Volkswagen. www1.folha.uol.com.br, 11.07.2023. Adaptado)
Texto 3
A estreia do comercial com Maria Rita e a versão digital de sua mãe, Elis Regina, morta há 41 anos, suscitou uma controvérsia, dando mais visibilidade à produção.
O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) abriu uma ação para julgar se houve desrespeito à ética por terem “ressuscitado” uma artista com o uso de tecnologia — a Inteligência Artificial aplicada no rosto de uma atriz — por interesse comercial.
Essa hipótese parece absurda: os filhos autorizaram, então qual é o problema? Alega-se que o comercial pode causar “confusão” no público a respeito do que é realidade e conteúdo ficcional. Esse argumento frágil considera que o telespectador é incapaz de distinguir uma situação básica.
Uma parte dos críticos despreza a grandiosidade da homenagem a uma voz incomparável pouco conhecida pelas novas gerações. O comercial faz os mais jovens notarem o talento, a importância histórica e o peso da ausência da artista.
Polêmicas à parte, o vídeo provocou um efeito raro na publicidade da última década: emocionar as pessoas. As opiniões nas redes sociais confirmam o impacto da mensagem.
Essa reação coletiva acontece raramente. A publicidade brasileira ainda é uma das melhores do planeta, porém, não se comunica tão facilmente com o público de TV como acontecia décadas atrás, quando os comerciais viralizavam apenas no boca a boca. A recriação de Elis Regina fez o intervalo ser mais apreciado e comentado do que a programação das emissoras.
(Jeff Benício. Polêmicas não excluem o grande feito do comercial com deepfake de Elis Regina. www.terra.com.br, 11.07.2023. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
É correto recriar postumamente a imagem de artistas usando inteligência artificial?
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Ops! Esta questão ainda não tem resolução em vídeo.
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