Redação
Texto 1
As principais cidades do mundo têm pensado em soluções de mobilidade urbana e, nesse contexto, ganhou destaque a taxação de congestionamentos, chamada de “pedágio urbano”. A ideia é simples: o poder público cobra uma taxa para que veículos entrem e circulem nos locais mais congestionados das cidades.
Segundo o economista Eduardo de Araújo Pinheiro Silveira, a implantação do pedágio urbano é interessante, inclusive no Brasil, porque há um redimensionamento da demanda, ou seja, é possível reduzir o volume de trânsito nas regiões desejadas e direcionar o ônus financeiro apenas para quem decide circular com o veículo. Outro ponto positivo do pedágio urbano refere-se à possibilidade de financiamento de outros modais. Em algumas cidades, tem-se estudado o uso do valor recolhido com essa taxa para investimento em calçadas, ciclovias e estímulo à circulação a pé ou de bicicleta. Dessa forma, quem opta pelo uso do carro financia a estrutura de quem faz opções mais sustentáveis de transporte.
A cidade de Singapura, na Ásia, foi a primeira metrópole a adotar o pedágio urbano em 1975, taxando a área central da cidade durante o horário de pico matinal. Segundo Silveira, o resultado foi expressivo: uma redução de 45% do volume de tráfego e de 25% dos acidentes de trânsito, bem como um aumento de 20% na utilização do transporte público. O número de proprietários de veículos que optavam pelo deslocamento de ônibus subiu de 33% para 46%.
(4 cidades que aderiram ao pedágio urbano. https://mobilidade.estadao.com.br, 15.05.2020. Adaptado)
Texto 2
A lógica de funcionamento do pedágio urbano é esta: pelo aumento do custo financeiro, produz-se a redução da demanda de uso das vias públicas de alta circulação. No entanto, uma parte da opinião pública brasileira rejeita a implantação do pedágio urbano, pois alega que tem o direito adquirido de usar as vias públicas a partir da aquisição do automóvel, inclusive em função do pagamento das taxas decorrentes da propriedade do veículo, como o licenciamento. Acredita-se que a tarifa imposta será cara e não há certeza de que os recursos provenientes dos pedágios urbanos serão aplicados na melhoria do transporte público.
(Silvio José Rosa. Pedágio Urbano. www.seesp.org.br, 13.06.2016. Adaptado)
Texto 3
A cidade de Nova York, nos Estados Unidos, decidiu em 2019 estabelecer um pedágio urbano. Autoridades nova-iorquinas argumentaram que a estratégia era necessária contra o aquecimento global, porque reduziria a quantidade de carros em regiões mais movimentadas da cidade. Esse tema suscita uma série de dilemas no Brasil. Conforme explica Cândido Malta Campos Filho, professor emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), se fosse implantado o pedágio urbano na cidade de São Paulo, a cobrança equivalente a algo próximo de R$ 9,50 seria capaz de tirar 30% dos carros das ruas.
Existem, entretanto, entraves para a implementação de medidas como essa. Um deles é a imposição de um novo custo para as classes de estreito poder aquisitivo. Como opina José Eugênio Leal, professor de Engenharia de Transportes da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), “a desvantagem desse sistema é que pode acabar sendo elitista, já que quem pode pagar vai acessar certas partes da cidade e outras pessoas não”. Há ainda a resistência popular ao pedágio urbano. O aumento da tributação em favor do meio ambiente ainda convence pouco a sociedade civil. “Grande parte da população vai ver o pedágio somente como uma cobrança a mais”, ponderou Leal. Além disso, segundo Malta, “o mercado automobilístico é importante economicamente para Brasil e, com o pedágio urbano, estaríamos coibindo esse mercado”.
(Heloísa Traiano. Nova York aprova pedágio urbano. Isso daria certo no Brasil?. http://oglobo.com, 03.04.2019. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
O pedágio urbano deveria ser implantado nas grandes cidades brasileiras?
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