sqd-sistema-de-questoes-discursivas-fundo-escuro-250
Busca por enunciado
Matéria
Banca
Área
Órgão
Ano
Linhas
Q92395 | Português
Banca: Marinha do BrasilVer cursos
Ano: 2005
Órgao: EN - Escola Naval
Cargo: Aspirante ao Oficialato da Escola Naval
30 linhas

A-+=
Salvar em caderno (0)
Faça login para salvar Fechar
Meus Cadernos

DOIS A MENOS
 
Dois a menos para encher a gente! É o único jeito de acabar com esses bandidos. Ouço esse tipo de frase desde que a polícia matou, na noite de segunda-feira 10, dois sujeitos que haviam roubado meu carro, 24 horas antes, apontando um revólver 38 contra a minha cabeça. Todo mundo se interessa em ouvir a história, quer saber como tudo aconteceu, se horroriza com a parte do revólver. Mas muito poucos se chocam com o fato de os assaltante terem sido mortos ao resistir à prisão. A maioria gosta, acha que o fim deles devia ser esse mesmo.
 
Quanto a mim, esclareço desde já, não desejava esse fim para eles mas o fato não chocou, pela simples e assustadora razão de que eles poderiam ter-me matado. Se, na hora do assalto, eu tivesse feito algum gosto que os assaltantes interpretassem como reação, eles certamente teriam puxado o gatilho. Na roleta da vida, deu bingo para mim.
 
Susto a parte, o que me impressionou foi a cultura de apoio à eliminação de bandidos que encontrei disseminada entre todos os tipos de pessoa, das classes altas às baixas – e, principalmente nas baixas. Impressionou-me, também, a quantidade infinita de histórias de violência que as pessoas têm para contar – ao fim das quais execram os bandidos e se alegram quando eles são eliminados. A experiência pessoal, dispensável, diga-se de passagem, possibilitou-me perceber que há na população um forte consenso favorável a um violento processo de eugenia – sendo que, nesse caso, a minoria a ser eliminada seria a de criminosos.
 
O problema está em que essa minoria tem ficado cada vez maior nas cidades brasileiras, a ponto de ninguém mais poder viver com tranquilidade. Está também no fato de que a velocidade com que este país marginais exigiria um processo de extermínio que jogaria nossas ruas em uma guerra civil.
 
Ou seja, matar os bandidos não é a solução final não só por motivos éticos e humanitários, mas simplesmente porque não funciona. A cada um que tomba, quantos estarão nascendo?
 
Fábricas de criminosos não faltam. Um chofer de táxi me contou, orgulhoso, que conseguiria educar e encaminhar seus filhos para o trabalho, mas que uns oito meninos que conviveram com eles, na vila de periferia onde moravam, tinha virado marginais. “Felizmente”, aqui uso a expressão dele, “todos tinham sido assassinados”. Sabem por quem? “Por uma quadrilha de pivetes de uma vila vizinha, pois estavam atrapalhando seus negócios…”
 
A solução, claro, é fechar, ou pelo menos diminuir significativamente, as fábricas de criminosos. Perfeito, diriam um otimista. Vamos fazer o país crescer, criar empregos, investir em educação e pronto. Se fosse fácil assim, por que já não teria sido feito? E quem disse que o problema se resume a questões de estrutura social e econômica? E as molezas morais, familiares, comportamentais? E a responsabilidade de cada um?
 
O show de corrupção que Brasília tem mantido em cartaz nos últimos tempos, o egoísmo das elites, que não abrem mão de um centavo de sua dinherama, o bangue-bangue que está sendo travado na área sindical não estimulam a população a imaginar que seja possível eliminar as fábricas de criminosas. Se os que estão lá em cima, os condutores do país – não é assim que se diz? -, não praticam a virtude, por que os de baixo, que vivem mal, vão praticá-la? O negócio é entrar na geléia geral e brigar por um prato de comida com unhas e dentes. Ou melhor, à bala!
 
Pelo que pude perceber, os rapazes que se assaltaram não eram totalmente profissionais, embora já tivessem passagem pela política. Queriam gozar um pouco  dos confortos da classe média, passeando em um carro bonito, usando roupas de griffe. Gostaram tanto que se esqueceram de abandonar o carro e resistiram à prisão. De sua parte, os que têm acesso a esses bens também gostam muito deles e acham que quem ousa roubá-los merece morrer.
 
Moral da história: essa história não tem moral, é uma obra aberta que está sendo vivenciada por todos nós diariamente. Se vamos para uma guerra civil ou assistiremos ao triunfo dos otimistas que acham que o país tem conserto, depende de nós. Quanto a mim, já adianto que não gostaria de levar o resto da vida dentro de uma brincadeira.
 
(Luiz Roberto Sorrano. Revista Veja, ed. 1324)
Reescreva a frase abaixo. transformando a oração reduzida em sintagma nominal.
 
É necessário eliminar a fábrica de criminosos.
loader-icon

Ops! Esta questão ainda não tem padrão de resposta.

Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.
Quer ver esse conteúdo aqui? Vote abaixo.
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário

Ops! Esta questão ainda não tem resolução em texto.

Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.
Quer ver esse conteúdo aqui? Vote abaixo.
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário

Carregando…

Ops! Esta questão ainda não tem resolução em vídeo.

Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.
Quer ver esse conteúdo aqui? Vote abaixo.
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
Este campo fica oculto ao visualizar o formulário

Conteúdo exclusivo para alunos da Academia de Discursivas ou assinantes do Sistema de Questões Discursivas.
  • Este formulário é para reportar erros nesta questão discursivas. Caso tenha dúvidas ou precise de ajuda, clique aqui para ver nossos canais de contato.
  • Este campo fica oculto ao visualizar o formulário
  • Opcional

Questões Relacionadas

Nenhuma questão encontrada com os critérios informados.

Espaço de Discussão

Converse com outros usuários do SQD

Acompanhar
Notificar
0 Comentários
Antigos
Recentes Votados
Inline Feedbacks
Ver todos comentários