“A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça. Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas coisas, mas a experiência é cada vez mais rara.” (BONDÍA, 2001, p.21)
“Alexander demonstra como a ideia de experiência formulada por Dewey se transformou em nossos dias num adequado conceito de arte. É entretanto, no livro que Alexander publicou em 1987, John Dewey’s theory of art experience and nature: the horizons of feeling, que ele vai muito mais além na demonstração da pós-modernidade de Art as Experience. Nessa obra, analisa as posições contraditórias de Dewey acerca da arte, de um lado naturalista em Experience and nature e de outro lado pragmatista am Art as experience, um de seus últimos livros, publicado aos 75 anos. As duas posições analisadas por Alexander correspondem a uma grande ruptura na história da arte. Nos primeiros anos de Dewey como intelectual, a arte era considerada representação da natureza, do mundo ao redor, da “realidade”, daí sua postura em favor do desenho de observação como o melhor caminho para desenvolver a capacidade de ver e representar. Embora começando a ser entendida como anti natureza no Impressionismo, a arte do século XX, principalmente no Novo Mundo, só passa a se configurar uma expressão quase duas décadas depois, quando se liberta definitivamente do comando naturalista/realista. É em função do modernismo e já respondendo e se opondo ao conceito modernista de expressão que Dewey constrói a teoria da arte como experiência. […] O movimento de tensão da experiência estética de quem faz (do artista) e de quem aprecia (intérprete) reorganiza a consciência e gera reconhecimento. Portanto, para Dewey, a percepção é em si mesma essencialmente uma categoria estética em lugar de epistemológica.” (BARBOSA, 2015, p.22)
A partir dos textos acima, faça a correlação entre a experiência de Jorge Larrosa Bondía com a experiência em arte de John Dewey.
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