Texto 1
Microempreendedor individual (MEI) é uma forma jurídica para a formalização de trabalhadores autônomos. Quando o indivíduo faz o cadastro na plataforma, ele passa a ter um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). O cadastro no MEI é gratuito. O microempreendedor individual terá como despesas apenas o pagamento mensal do Simples Nacional. Esse valor é fixo e equivale a 5% do salário mínimo.
Segundo Antônio André Neto, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o objetivo do governo, ao criar o MEI, era transformar a significativa quantidade de pessoas trabalhando na informalidade em trabalhadores formais. Desta forma, brasileiros que não tinham segurança laboral passaram a usufruir de uma série de benefícios, pagando um valor que André Neto considera “muito baixo” por meio de um processo “muito simples”.
Uma vantagem citada pelo professor é a cobertura previdenciária do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que garante benefícios como aposentadoria por idade e invalidez, pensão por morte, auxílio-maternidade, auxílio-doença, entre outros. Além disso, indivíduos que têm esse registro também podem ter acesso mais fácil a alguns microcréditos. Ele acredita que qualquer pessoa que possa abrir um MEI deveria fazê-lo. “São centenas de profissões permitidas. O objetivo do MEI é favorecer esses profissionais, dar uma proteção a eles”, finaliza.
(Sofia Kercher. “MEI: confira como fazer para ser um empreendedor formalizado”. www.cnnbrasil.com.br. 04.07.2022. Adaptado.)
Texto 2
Criada em 2008 com o objetivo de reduzir a informalidade, a categoria microempreendedores individuais (MEI) prevê uma rede mínima de proteção social aos trabalhadores, mas com menos benefícios que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Hoje, 58% das empresas registradas no Brasil são, na verdade, MEIs. Em sua maioria, cabeleireiros e comerciantes de roupas.
Em abril de 2023, o Brasil bateu o recorde histórico de trabalhadores com carteira assinada: 43 milhões. No entanto, a tendência tem sido o crescimento dos MEIs. Hoje, para 10 trabalhadores com carteira assinada, há 3 MEIs.
(Luigi Mazza, Pedro Tavares e Renata Buono. “O país dos MEI”. www.piaui.folha.uol.com.br, 10.07.2023. Adaptado.)
Texto 3
Os microempreendedores individuais (MEIs) já representam 10% dos contribuintes da Previdência Social no país, mas correspondem a apenas 1% da arrecadação do regime geral, num indicativo de que a ampliação do regime tributário simplificado acabou fragilizando a base de arrecadação do INSS.
A conclusão é apresentada pelos pesquisadores Rogério Nagamine Costanzi, ex-subsecretário do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), e Mário Magalhães, cientista social e assessor do RGPS no Ministério da Previdência Social, em artigo publicado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O dado é considerado preocupante, sobretudo em um contexto de déficit na Previdência. O rombo do INSS chegou a R$ 261,3 bilhões no ano passado, o equivalente a 2,7% do PIB (Produto Interno Bruto).
A parcela da Previdência do MEI, por exemplo, corresponde a 5% do salário mínimo (R$ 1.302), o equivalente a R$ 65,10 mensais. A cobrança é menor do que a incidente sobre trabalhadores com carteira assinada, que pagam entre 7,5% e 14%, sem contar a contribuição do empregador, de 20% sobre o valor do salário.
A preocupação dos pesquisadores existe porque no futuro, ao preencherem os requisitos mínimos de aposentadoria, os microempreendedores terão direito a um benefício no valor de um salário mínimo — ainda que seu esforço contributivo tenha sido menor do que o dos demais trabalhadores. “Tudo indica que esse processo de migração vem afetando negativamente, e em proporção não desprezível, o equilíbrio financeiro da previdência, considerando que a alíquota do MEI é extremamente subsidiada, com suas despesas superando em muito suas receitas”, alertam.
(Idiana Tomazelli. “MEI representa 10% dos contribuintes da Previdência, mas só 1% da arrecadação”. www.folha.uol.com.br, 10.04.2023. Adaptado.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Microempreendedores individuais: entre a formalização do trabalhador e o déficit da previdência.
CONTEÚDO EXCLUSIVO
Confira nossos planos especiais de assinatura e desbloqueie agora!
CONTEÚDO EXCLUSIVO
Confira nossos planos especiais de assinatura e desbloqueie agora!
Ops! Esta questão ainda não tem resolução em vídeo.
Questões Relacionadas
TexTo 1

TexTo 2
Mais de 60% dos municípios brasileiros não atingiram no ano de 2023 a meta de 95% de cobertura vacinal recomendada pelo Ministério da Saúde, quando considerados os imunizantes aplicados durante o primeiro ano de vida. Ainda que o total de cidades no país que alcançou o índice tenha saltado de 1 745 em 2022 para 2 100 no último ano — de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 5 568 municípios espalhados por todo o território —, os números mostram-se aquém do necessário.
Desde 2016, as coberturas de todos os imunizantes previstos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) estão em queda. A situação é preocupante, uma vez que surtos de doenças …
TexTo 1

TexTo 2
O número de mães solo, aquelas que cuidam sozinhas de seus filhos, aumentou 17,8% na última década, passando de 9,6 milhões em 2012 para 11,3 milhões em 2022. Esta situação gera ainda mais dificuldades para o ingresso dessas mulheres no mercado de trabalho. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O estudo indica que a maior parte dessas mães, pouco mais de 70%, vive apenas com seus filhos, é formada por mulheres negras, com baixa escolaridade, e está no Norte e Nordeste do país.
Janaína Feijó, responsável pelo estudo, resume a dificuldade enfrentada por essas mães: “essa mãe praticamente não tem com quem contar, não tem uma rede de ap…
Redução da jornada de trabalho?
A polêmica em torno da redução da jornada de trabalho é tão antiga quanto o capitalismo. O próprio 1º de Maio é oriundo de uma luta por redução de horas de trabalho que trabalhadores foram às ruas protestar contra as condições de trabalho desumanas e exigir a redução da jornada de 13 horas para 8 horas diárias.
Agora, novas propostas pedem o fim da escala 6×1, onde as pessoas trabalham seis dias por semana, com folga de um dia. Essa escala seria substituída por uma jornada de trabalho de, no máximo, 36 horas semanais, com quatro dias de trabalho, também conhecida como escala 4×3, por força de lei. Sublinho “redução de jornada por força de lei”, pelo fato de se…




