Para especialistas da área de informática, saber programar em um computador é a habilidade do século XXI. “Quanto mais cedo, mais fácil de assimilar”, afirma a britânica Stephanie Shirley, um dos ícones da tecnologia da informação. Ela sugere que crianças a partir de dois anos já sejam apresentadas às ideias básicas por trás da programação.
No Brasil, a informática não faz parte do currículo escolar obrigatório. Estamos atrás de países como Finlândia, Austrália, Inglaterra, Japão e Estônia, onde crianças com 6 e 7 anos de idade já entram em contato com os fundamentos de programação.
Aos 10 anos, Juliana Janot deparou com um folheto de um curso de robótica. Por ser uma criança que sempre gostou de “inventar”, convenceu os pais e encarou o desafio. Quando o curso acabou, resolveu expandir os horizontes tecnológicos. Busca daqui, busca dali, achou um lugar onde pudesse aprender a criar jogos e aplicativos e montar sites na internet.
“Acho que programação vai ser importante no futuro. Dependemos cada vez mais da tecnologia, e programar é saber adaptá-la para você”, diz Juliana, hoje com 13 anos.
Aqui no Brasil, adultos com formação no setor perceberam o potencial do tema quando, nos Estados Unidos, começou, dentro do sistema educacional, um movimento para que a programação saísse dos quartos dos chamados “nerds” e fosse ensinada em escolas. A filosofia dos diversos cursos acaba sendo, em linhas gerais, a mesma: por meio dos ensinamentos de ferramentas específicas para aplicativos e jogos. A promessa é de que os pequenos saiam também experts em raciocínio lógico, indo além da fissura pelas telas coloridas.
“A proposta é dar capacidade analítica às crianças. Elas se sentem mais preparadas para solucionar problemas e achar formas práticas de superar desafios”, diz a analista de sistemas Karen Salazar, professora da HappyCode, escola onde estuda Juliana Janot.
(Talita Duvanel. “Cursos de programação de apps,
O computador exige um tipo de pensamento e linguagem formais, matemáticos. Assim, poderíamos nos perguntar: quando crianças devem começar a aprender esse tipo de pensamento e linguagem? Cremos que qualquer uso de computadores antes do ensino médio, isto é, mais ou menos aos quinze anos, é prejudicial à criança ou ao jovem. Ao usar um computador, a criança é obrigada a exercer um tipo de pensamento que deveria empregar somente em idade bem mais avançada. Com isso, podemos dizer que os computadores roubam das crianças sua necessária infantilidade. Elas são obrigadas a pensar e usar uma linguagem que deveria ser dominada exclusivamente por adultos.
Nossa tese é a de que computadores estão transformando nossa maneira de pensar. Tememos que essa mudança de pensamento venha a influenciar a maneira como o futuro adulto encarará a vida, a natureza, seus semelhantes e a sociedade. Nossa preocupação é a de que os jovens, se forçados pelo computador a exercitar “pensamentos maquinais”, tendam a usar esse mesmo tipo de pensamento ao tratar com a natureza e com outros seres humanos.
(Valdemar W. Setzer. “Computadores na educação: por quê, quando e como”. www.ime.usp.br. Adaptado)
ou prejudica o desenvolvimento delas?
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