Texto 1
Os livros “Caçadas de Pedrinho” e “A Menina do Narizinho Arrebitado”, de Monteiro Lobato, criador do Sítio do Picapau Amarelo, são algumas de suas obras que, quando lidas atualmente, chamam a atenção por seus termos pejorativos. Recentemente, tem sido motivo de discussões a proposta de reedição das suas produções literárias, pois ainda são utilizadas em ambientes escolares e em lares e, nessas condições, apresentar tais termos para crianças em um livro infantil pode ser determinante e influenciar na formação desses indivíduos. No aniversário de 100 anos da obra “A Menina do Narizinho Arrebitado”, Cleo Monteiro Lobato, bisneta de Monteiro Lobato, reeditou a obra de modo que retirasse esses termos pejorativos do livro. Em entrevista ao jornal GZH, ela explica que a iniciativa se deu devido ao desconforto dos leitores: “pessoas disseram que não têm nem condições de ler para os netos. Foi aí que começamos a mexer na obra para que a gente possa fazer as contações das histórias” — disse. A atitude teve grande repercussão nas redes sociais e dividiu opiniões. Aqueles que defendem a reedição das obras têm como argumento a reparação histórica (ações pensadas para amenizar injustiças cometidas no passado contra determinadas comunidades ou grupos sociais), ao alegar que a leitura dos livros de Lobato pode ferir e humilhar crianças e potencializar o bullying. Por outro lado, a oposição julga essa iniciativa uma negação ao passado.
(Yngrid Alves. Edição de obras literárias: reparação ou negação? https://labdicasjornalismo.com/noticia/6312/edicao-de-obras-literarias-reparacao-ou-negacao 26.02.2021. Adaptado)
Texto 2
O primeiro-ministro britânico Rishi Sunak criticou a alteração de trechos considerados ofensivos nos livros de Roald Dahl, autor de clássicos da literatura infantil como “Matilda” e “A fantástica fábrica de chocolate”: “é importante que obras literárias e de ficção sejam preservadas e não retocadas ou censuradas. Sempre defendemos o direito à liberdade de expressão”, completou. Segundo a imprensa britânica, as obras de Dahl em breve ganharão novas edições, nas quais trechos considerados ofensivos serão reescritos. Termos pejorativos referentes a peso, saúde mental, violência, gênero e raça serão substituídos. Em “A fantástica fábrica de chocolate”, por exemplo, Augustus Gloop não será mais descrito como “enormemente gordo”, mas apenas como “enorme”. Suzanne Nossel, da PEN America, uma instituição que defende a liberdade de expressão em nome de mais de sete mil escritores, afirmou: “aqueles que comemoram alterações específicas na obra de Dahl deveriam considerar como o poder de reescrever livros pode ser usado nas mãos daqueles que não compartilham seus valores e sensibilidades”.
(Primeiro-ministro britânico critica mudança em trechos da obra de Road Dahl, autor de ‘Matilda’. https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2023/02/primeiro-ministro-britanico-critica-mudanca-m-trechos-da-obra-de-road-dahl-autor-de-matilda.ghtml. 20.02.2023 Adaptado)
Texto 3
Para a especialista em literatura infantil Isabel Lopes Coelho, que é doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, as mudanças no caso de Roald Dahl, autor de “A fantástica fábrica de chocolate”, são pontuais e não geram ganhos para as crianças, somente danos ao texto: “abrandar o texto e tirar a palavra feia, por exemplo, é tirar as nuances de como a literatura vê o mundo”, disse ao Nexo. Coelho acredita que a crítica às mudanças no caso de Monteiro Lobato é mais complicada: “uma criança que lê o texto fica ofendida. O que fazer? Uma nota de rodapé explicando o texto diminui a violência?”, questiona.
Já a escritora e roteirista Carol Sakura, doutora em Letras pela Universidade Federal do Paraná, afirma que ter contato apenas com textos sem termos negativos, o que ela define como “higienização”, pode trazer prejuízos para a criança, que se vê em conflito com sentimentos ruins, mas não tem contato com eles por meio da arte para projetá-los: “o mau dentro da literatura infantil é algo necessário. A criança precisa das coisas negativas, e o espaço mais seguro para isso é na literatura. Ela tem sentimentos contraditórios: amor, ódio, acha coisas ruins sobre os outros e não sabe lidar. Se ela nunca tiver contato com algo que espelhe isso, vai sentir que ela é o problema”, declara Sakura.
(Isadora Rupp. Qual o efeito para crianças de alterar obras ‘problemáticas’. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2023/03/01/Qual-o-efeito-para-crian%C3%A7as-de-alterar-obras-%E2%80%98problem%C3%A1ticas%E2%80%99. 01.03.2023. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
A reedição de obras literárias infantis é uma alteração necessária ou apenas um ato de censura?
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